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» A Cividade de Terroso
 
A Cividade de Terroso é uma das mais significativas estações arqueológicas da Cultura Castreja do Noroeste Peninsular. As primeiras referências à sua existência datam do Séc XVIII – O Reitor António Fernandes da Lomba, juntamente com o Coadjutor e outros clérigos de Terroso, escrevem, para as Memórias paroquiais de 1758: "(…) estâ êsta freguezia toda a roda cercada de campos lavradios, e sô por hua parte no meyo della tem hum Monte mais levantado, que sera tanto, como a tersa parte dos campos lavradios da dita freguezia e dizem os Antigos fora este Monte Cidade de Mouros, porque se chama este Monte da Cividade –bocabulho corruto- e deste Monte se descobre terra, e Mar sinco Legoas the Vianna que fica, ao Norte, e sinco the o Porto, que fica a Sul.
 
O Tenente Veiga Leal, na "Noticia da Póvoa de Varzim feita a 24 de Mayo de 1758" refere a propósito da Cividade de Terroso: "(…) o Monte chamado Cividade, em que se vem vestígios bastantes de casas, que dizem formavam alli uma cidade, e á poucos annos se tapou um poço que havia no meio do monte. D’estes antigos edifícios ha memoria tão certa, que para esta villa vieram carros de tijolos das ruínas d’aquellas (…)."
 
Posteriormente a Cividade sendo citada, de passagem, por vários autores, como Martins Sarmento.

Numa carta, dirigida a José Leite de Vasconcelos, que escreveu na Póvoa de Varzim, em 16 de Agosto de 1883, revela: «No raio de legua e meia tenho farejado tudo o que me pareceu digno de ser farejado. Em Tarroso ha uma cividade; mas os vestígios da povoação antiga foram-se. A povoação primitiva desceu, como de costume, para uma das vertentes do monte, onde a cada passo se encontram fragmentos de telha romana; mas, como a agricultura tomou conta d’estes terrenos, imagine o que será isto.
     
Há outra cividade em Bagunte e que tenciono ir ver um destes dias. Dizem-me que ahi ha vestígios mais bem conservados que na Tarroso.»
     
O conhecimento da importância da Cividade Terroso é ajuizado pelos primeiros trabalhos aí realizados por Rocha Peixoto nos inícios do sec. XX, que revelaram um impressionante espólio arqueológico (hoje disperso por vários museus da Cidade do Porto).
 
A morte de Rocha Peixoto, em 1909, arrasta o abandono da Cividade. Nos anos 20, Ruy de Serpa Pinto, apoiando-se nos apontamentos de Rocha Peixotoe e nos materiais provenientes da escavação, publíca uma obra emblemática sobre a Cultura do Noroeste Peninsular apropriadamente intitulada "A Cividade de Terroso e os Castros do Norte de Portugal”, o que ajuíza a importância por ele conferida à Cividade de Terroso. A publicação por Serpa Pinto, da planta ter sido sistematicamente publicada invertida, ou mal orientada, só foi detectado no decurso da campanha de 1980.
 
Os anos que se seguiram foram de total abandono. As ruínas postas a descoberto pelas escavações foram de novo tapadas (por imposição dos proprietários) e a vegetação foi tomando conta do monte.
     
Em 1980 o Professor Doutor Armando Coelho Ferreira da Silva, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, foi oficialmente convidado pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim para reiniciar as escavações na Cividade de Terroso. De 1980 a 1982 e de 1986 a 1994 têm vindo a realizar-se, sob a sua orientação, trabalhos arqueológicos de escavação, recuperação e restauro, que vimos dirigindo. Nestes trabalhos tem participado centenas de estudantes do Ensino Secundário e Superior, naturais do Concelho da Póvoa de Varzim mas igualmente de vários pontos do país.
     
Dos trabalhos realizados e dos importantes e numerosos materiais obtidos, podemos traçar uma visão geral sobre a História da Cividade.
 
Os inícios da ocupação ter-se-ão dado nos finais da Idade do Bronze, prolongando-se até à Romanização, estando bem patentes (nas estruturas postas a descoberto e no espólio obtido na Cividade) todas as fases desta longa presença.

Encontram-se bem documentados os períodos de transformação, várias fases de reorganização urbanística, evolução tecnológica dos processos de produção, etc.
 
Os inícios da ocupação ter-se-ão dado nos finais da Idade do Bronze, prolongando-se até à Romanização, estando bem patentes (nas estruturas postas a descoberto e no espólio obtido na Cividade) todas as fases desta longa presença. Encontram-se bem documentados os períodos de transformação, várias fases de reorganização urbanística, evolução tecnológica dos processos de produção, etc. O fenómeno de aculturação introduzido pela chegada dos Romanos encontra-se muito bem documentado nas importantes alterções tecnológicas patentes em todas as actividades da Cividade desde o modo de construir, moer, ou tão simplesmente no crescimento da actividade metalúrgica.
     
O estudo dos materiais obtidos tem permitindo a realização de análises dos carvões vegetais o que, pelo estudo antracológico, se torna possível reconstituir o coberto vegetal da região na época da ocupação bem como do cultivo de algumas espécies cerealíferas. O estudo das conchas marinhas e eventuais aprestos de pesca descobertos, atestam uma actividade secundária ligada à exploração dos recursos marinhos. Foram realizados, e estão em curso, estudos específicos sobre as ânforas romanas e outros tipos de cerâmicas. A enorme e diversificada gramática decorativa das cerâmicas excede, até ao momento, largamente as duas centenas de padrões.
 
Neste momento encontra-se em preparação um plano global de recuperação escavação e restauro da Cividade de Terroso que a tornará seguramente, numa das mais importantes estações arqueológicas visitáveis, deste período, no Noroeste Peninsular. Este projecto conta com o apoio e empenho da Câmara Municipal da Povoa de Varzim, Junta de Freguesia de Terroso.
 
O referido plano passará pela criação de uma estrutura de apoio às escavações e aos visitantes da Cividade, arranjo paisagístico, restauro e conservação das estruturas, estudo do percurso de visita, quadros explicativos e orientações, identificação de espécies botânicas autóctones, localização de outras estações arqueológicas na região visíveis a partir da Cividade e, naturalmente, o alargamento da área escavada e a continuação de cuidadas escavações estratigráficas que nos permitirão o estudo e interpretação desta importante estação arqueológica.
 
Textos de autoria de José Manuel Flores Gomes - Arqueólogo Municipal
 
   
 
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