Esta freguesia pode-se dizer, com verdade, que ela é, hoje, um prolongamento da cidade da Póvoa de Varzim, 2,5 km do centro da Póvoa de Varzim. Por isso, não admira que seja a de mais denso tecido urbano e a mais populosa do concelho.
Este antigo lugar da freguesia de Amorim povoou-se muito cedo e o topónimo "Abonemar" aparece num documento de 1099. O dito povoamento deve-se à estripe do cavaleiro medieval D. Lourenço Fernandes da Cunha e seus sucessores e, na Inquirição de 1258, diz-se que "a terra é honra de Cavaleiros".
Os moradores ou o Senhorio da terra edificaram, presume-se que no séc. XV, uma capelinha dedicada a Nossa Senhora das Neves que é, hoje, a padroeira da freguesia.
No séc. XVII, a sua população formada por pescadores-lavradores era já significativa e, nessa altura, a Camâra da Póvoa obteve uma provisão régia unindo Averomar ao "cabeção das Sisas" da Póvoa.
O aumento da população criou também exigências religiosas e a capela teve de ser aumentada, o que fizeram as religiosas de Santa Clara do Porto, padroeiras da paróquia de Amorim estabelecendo nela no séc. XVIII, uma capelania paga pelos dizimos do lugar.
O advento do regime liberal e a extinção dos dizimos eclesiásticos veio dar uma nova perspectiva ao futuro do lugar. Por outro lado, a grande distância à matriz de Amorim avolumou o desejo da independência paroquial. Assim, em 1880 uma comissão de obras foi constituída para a construção de uma nova igreja, inaugurada em 25 de Novembro de 1883, que passou a ser administrada pela Confraria de Nossa Senhora das Neves criada em 1890. Foi o primeiro passo de uma longa caminhada que teve o seu termo já no nosso século. Na verdade, a independência da freguesia deu-se por decreto-lei de 10 de Agosto de 1922, desmembrando de Amorim aquele antigo lugar, sendo a nova paróquia de Aver-o-mar criada por provisão canónica de 16 de Janeiro daquele mesmo ano.
A população de Aver-o-mar é constituída por duas etnias distintas: o homem da beira-mar, pescador e seareiro (ruivo e espadaúdo), e o homem da aldeia, lavrador originário dos antigos casais de Amorim (do tipo galego). No mar colhem algum peixe e abundante sargaço; na terra, colhem cada vez menos, pela intensa urbanização do lugar, batata, legumes e algum cereal. Uma parte substancial da população vive, também, da construção civil, da indústria e dos serviços instalados na cidade.
Tem os seguintes lugares: Agro-Velho, Fragosa, Paranho de Areia, Mourincheira, Fontes Novas, Sesins, Paranho, Aldeia Nova, Perlinha, Boucinha, Refojos, Palmeiro, Caramuja, Paço, Finisterra, Paralheira, Sencadas e Santo André onde está a capelinha em honra daquele apóstolo, do séc. XVI, de grande devoção das gentes desta região que vêem nele o "Barqueiro das Almas". A sua festa celebra-se no último domingo de Novembro. Junto à ermida está o chamado penedo do Santo onde o povo crê que um "fossete" lá gravado seja uma pegada no santo. Na madrugada da festa, bandos de homens e mulheres, envolvidos em seus mantos pretos e com lampiões na mão, vão ao Santo André, areal fora, entoando:
Resgatai as almas
Ó Pastor Eterno
Daquele lugar
Junto ao Inferno
É natural de Aver-o-mar, o grande escritor, poeta e dramaturgo Francisco Gomes de Amorim, celebrado como o melhor biógrafo de Garrett.